Possivelmente será…

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Possivelmente será mais correto dizer-se “Programa Educativo Individualizado” do que “Programa Educativo Individual”.

Ora veja este pequeno apontamento de Luís de Miranda Correia.

Há poucos dias recebi mais um e-mail, desta vez de um professor, perguntando-me qual seria o termo mais correto, individual ou individualizado, quando nos referimos aos programas que tantas vezes temos de elaborar para os alunos com necessidades educativas especiais. O mesmo é dizer que a questão que o professor me colocava era se se devia dizer Programa Educativo Individual (tal como aparece no Decreto-Lei 3/2008, de 7 de Janeiro) ou Programa Educativo Individualizado como tinha lido num dos meus livros, por sinal o livro intitulado Alunos com necessidades educativas especiais nas classes regulares (p. 93 e seguintes) publicado pela Porto Editora. 

Embora não seja de forma alguma um especialista em linguagem, refiro-me aqui à semântica frasal, entendo que individual quererá dizer, no caso em apreço, o que é relativo apenas ao aluno. Assim sendo, poder-se-á até considerar a sua exclusão do grupo de alunos da turma e/ou da escola, se tivermos em conta que o termo individual, sendo um adjetivo, poderá ser interpretado como querendo dizer “um indivíduo visto separadamente” em vez de “um individuo visto no contexto de um grupo”. Esta aceção, poderia levar à conclusão de que o programa educativo se referia só ao aluno e, por conseguinte, não admitia propostas de intervenção que, eventualmente, pudessem ter também como protagonistas os seus colegas. 

Por seu turno, na minha ótica, o termo individualizado, sendo aqui também um adjetivo, poder-se-á interpretar como a qualificação de uma ação (elaboração de uma programação) que tem por fim responder às necessidades de um indivíduo, tendo por base as suas características. Nesta perspetiva, a adjetivação quererá emprestar ao substantivo (programa) o sentido de personalização, ou seja, o sentido de respeitar as características e necessidades do aluno, permitindo, no entanto, intervenções quer a título individual quer em pequeno ou grande grupo. 

Um exemplo que pode ilustrar esta diferença semântica, por mais diminuta que ela seja, é o uso da frase ensino individual versus ensino individualizado, sendo que o ensino individual terá mais a ver com um processo em que um aluno recebe uma atenção particular de um só indivíduo (ex: professor), ao passo que o termo ensino individualizado para além de deixar antever a personalização do ensino, ajustando-o ou adaptando-o às necessidades de um aluno, está também a admitir que ele pode envolver outros intervenientes. Conquanto seja esta a minha leitura, não receberá, com certeza, unanimidade por parte dos leitores, até porque a “distância semântica” que separa os dois termos é infinitamente pequena, por vezes quase nula, pude verificar quando consultei vários dicionários, o da Academia das Ciências de Lisboa, o Michaelis, o da Porto Editora, o Webster’s International Dictionary e o Oxford Advanced Leaner’s Dictionary. Contudo, por uma questão de respeito por quem me colocou esta questão, aqui deixo a minha opinião.

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