PROCESSO DE IDENTIFICAÇÃO DE ALUNOS COM DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

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A identificação das dificuldades de aprendizagem (DA) nasce da sua conceitualização, uma vez que é ela que define os critérios necessários para se determinar a elegibilidade de um aluno para serviços e apoios especializados, caso sejam necessários, e se elaborem programações educacionais eficazes consentâneas com as suas capacidades e necessidades e com as características dos ambientes onde ele interage. No caso dos alunos com DA significativas, a necessidade de elaboração de programações individualizadas é quase sempre uma constante e, por conseguinte, torna-se importante, senão imperativo, perceber-se muito bem todo o processo que permite a elaboração de respostas educativas eficazes para esses alunos. O Modelo de Atendimento à Diversidade (Correia, 1997), que se apoia não só na interação de fatores biológicos (intrínsecos ao indivíduo) com fatores ambientais, mas também na colaboração entre educadores e professores (de turma ou especializados) e, ainda, entre educadores e professores, outros agentes educativos e pais, permite perceber esse processo, sem o qual uma programação adequada às necessidades dos alunos com DA ficará sempre comprometida. O MAD, por ser um modelo multinível, consubstancia, assim, um processo de recolha faseada de informação, inicialmente através da consulta do processo do aluno e do uso da observação e de instrumentos de avaliação informais que permitam traçar o seu perfil de realização atual, quer em termos académicos, quer socioemocionais. Assim sendo, nos dois primeiros níveis do MAD a recolha de informação pertinente é crucial pois permite a implementação de intervenções eficazes de acordo com as capacidades e necessidades do aluno com DA e, simultaneamente, se necessário, a introdução de ajustamentos e/ou adaptações curriculares e modificações ambientais sempre no sentido de ele poder continuar a acompanhar os objetivos do currículo escolar comum do ano que frequenta, fazendo com que uma grande parte dos alunos com DA não necessite de ser encaminhado em termos formais para os serviços de educação especial. Neste sentido, o de se evitar o encaminhamento de um aluno para os serviços de educação especial, um dos instrumentos mais adequados para a promoção do seu sucesso escolar é a ESCALA DE IDENTIFICAÇÃO DAS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM (EIDA) (Correia, 2017), pois permite não só recolher informação nas áreas em que os alunos com DA sentem mais dificuldades, mas também nivelar os atendimentos, de universais a individualizados, facilitando a tomada de decisões quanto à elaboração de intervenções educacionais direcionadas para as necessidades desses alunos, tendo em conta as suas capacidades.

Rosa Soares Ferreira

Professora; Mestre em Dificuldades de Aprendizagem

Referências bibliográficas

Correia, L.M. (1997). Alunos com necessidades educativas especiais nas classes regulares. Porto: Porto Editora.

Correia, L.M. (2017). Escala de identificação de dificuldades de aprendizagem. Braga: Flora Editora. (www.floraeditora.com)

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